Eita que menina doida. Ri sozinha, conversa com as paredes, canta até fora do chuveiro. Fala abobrinhas pra mais de metro, joga coisas nos outros, pede pra sair de sua vida e corre pra casa chorar. Contraditória que só ela. Exatamente como um trem desgovernado indo pra lugar nenhum. Sempre metendo os pés pelas mãos, saindo dos trilhos, falando mais do que devia. Tão rápida e constante que nem tempo de pensar ela tinha. Só ia, assim, falando sem parar. Quando via, já feriu, já foi ferida, já se machucou. Completamente imprevisível. Maluca, talvez essa seja a palavra certa. Nada de mais ou menos, meio termo ou qualquer coisa. Com ela é tudo, ou nada. Moça confusa - quase nunca sabia se entender. - Nunca era só fogo. Era gelo também. Sempre mista. Sempre misturas. Tinha esse medo de estar sozinha. Esse medo de gritar e ninguém ouvir. E não sabia, de maneira alguma, fechar ciclos, colocar pontos finais, acabar com uma história. Vivia colocando vírgulas, aspas, reticências. Nada de pontos. Nada de fim. Medo de mudanças? Que nada. Ela queria mais é que tudo mudasse mesmo. Porque ela era a mudança. Sempre irreverente, inconstante. Fase, sabe? Tô dizendo, a menina era doida. Falava consigo mesma na frente do espelho, ria das suas próprias piadas, e amava também. Eu disse, doida de pedra.

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